domingo, 12 de fevereiro de 2012

Expo-mim: um momento de revelação (ou de irresponsabilidade)

Por esses tempos acordei e me dei conta que passei dos trinta já faz algum tempo. Em minha caixa
de emails aparece -semanalmente- propagandas de produtos cosméticos, anti-sinais, de SPAS ou resorts. Meu filho que até ontem parecia "um bebê", já sabe fazer ironias e se incomoda com meu "excesso" de preocupação com ele. A morte da vovó - que sempre foi uma possibilidade angustiante- agora passou a ser algo naturalmente esperado.

Foi assim: os dias voaram. Como se houvesse dormido princesa e acordado abóbora. Aliás, antes
dormia tão bem... Depois que tornei-me mãe, não sei mais o que são oito horas corridas de sono.
Dormia tão bem... (e sonhava muito!) até que um dia, começei a ter pesadelos noturnos. Já
experimentei a sensação de acordar "descansada", mas um dia comecei a ter meus sonos
interrompidos por descargas de suor em consequência de pesadelos que vem por motivos da
da vida.

Já senti aquela tristeza comum, que faz parte de toda história . Agora, preciso tomar pílulas. Uma dúzia delas. Uma pra depressão, outra pra estômago, porque aquela contra a depressão prejudica o estômago. Mais uma outra para conseguir dormir. Uma outra para enfrentar o efeito constipante de alguma das drogas anteriores. Um anti- histamínico para corrigir efeitos colaterais de alguma medicação. Um fitoterápico na esperança de que ele ative minha memória que, com tantas noites mal dormidas, naturalmente não vai bem...E suplemento de ferro. Sim, agora conto até com suplemento de ferro, porque com tantas emoções, não tenho vontade de fazer todas as refeições. Um dia, comer já foi momento de prazer e comunhão. Agora é só mais uma obrigação solitária e trabalhosa.

Já passei pela fase colorida de esperança e sonhos cintilantes de um mundo muito melhor e também já adoeci por fixar meu olhar no pior ângulo da humanidade. Hoje vejo a vida com alguma resignação e sinto-me melhor assim. Descobri que - pelo menos pra mim- viver bem é um desafio diário que exige coragem e energia ( e algumas vezes também uma equipe de apoio).


Não tenho mais momentos de pessimismo, nem de otimismo. Apenas já confirmei, pela repetição de experiências, que viver bem não é tarefa simples, embora reconheça e experimente momentos agradáveis, realmente agradáveis.

Já fiz jogos e malabarismos pra chegar onde queria. Hoje sinto-me mais a vontade para ir direto ao assunto.

Já ganhei a estatura e a beleza que a genética me reservou. Daqui pra frente, quanto a esses
quesitos, naturalmente, serão só perdas. Por outro lado a experiência, conhecimentos, auto-
conhecimento e auto-confiança podem ainda em muito aumentar. Claro a massa de gordura
também. Mas isso faz parte da natureza (e da luta cotidiana: evitar ou combater).

Antes desejava autonomia. Hoje conheço o gosto agridoce dessa fantasia, que algumas vezes se
realiza aqui ou ali. Finalmente comprendi que esta famigerada reivindicação não se realiza
totalmente pra ninguém no mundo, embora possamos conseguir conquistá-la e expandí-la em
algumas situações. E, sim, isso dá muito trabalho...

Já passei por crise de indentidade. Agora reconheço mais rapidamente meu pequeno grupo e lugar e descobri que também sou capaz de criar grupos e lugares.

Já esperei bastante, agora faço acontecer na medida do meu (im)possível.

Já quis ser realmente boa em alguma coisa e "provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém". Agora apenas reconheço minha mediocridade e trabalho para tornar-me melhor e para melhorar o que for possível onde eu estiver (não me parece muito, mas me parece importante o suficiente pra não desitir- sim, há vidas ao meu redor). Sem a necessidade de provar algo para o mundo, sinto-me mais comprometida comigo mesma em tornar-me uma pessoa melhor e mais completa.

Agora, tantos anos depois de minha inauguração no mundo -como ele é- consigo ver que tem
outras possibilidades, que sou completamente responsável por minhas escolhas e que quando as coisas não vão bem, preciso melhorar, ou mudar meus caminhos, minhas estratégias, meu
olhar...

Ainda sinto falta de sabedoria. Minha busca, portanto, continua. Enquanto houver fôlego.

4 comentários:

Henderson disse...

Te admiro Muitão!

Deborah disse...

Oi bela! Teu aniversário será em Março, pois não?

Fran disse...

"O Henderson é um bom camarada! O Henderson é um bom camarada!O Henderson é um bom camaraaaaa-da...Ng pode negar! ng pode negar..." rsrs
Oi, Deh! Não, não. Estou só sofrendo por antecipação rsrs Sou de maio, honey. Dia 8 de maio.Nasci no popularmente chamado "mês das noivas" hahaha Que coisa,hein? Tipo assim, amiga: "nascida para casar" hahaha
2 bjos

Gu Coelho disse...

"tempo, tempo, mano velho..."